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conceito de Economia de Compartilhamento apareceu por volta de 2010, causando uma onda de otimismo sobre a capacidade da tecnologia em transformar as relações de trocas de valor e gerar um mundo melhor. A ideia de uma nova economia, mais dinâmica, acessível, com custos transacionais menores e em rede distribuída, foi rapidamente aceita pelo seu caráter de “democratização do consumo”. Para que ter a propriedade de um bem, se com dois cliques num smartphone posso ter acesso a este mesmo bem no momento em que necessitar? Por que não ser dono do próprio tempo e das decisões e/ou complementar a renda, oferecendo trabalho em redes que vendem o mercado e facilidades na transação comercial?

Neste cenário, empresas como Uber, Lyft, Airbnb, Taskrabbit e outras surgiram como propriedades digitais que construíram a ponte para essa demanda. O sucesso dessas empresas deve-se, em grande parte, à sua capacidade de fazer uso dos ativos e propriedades existentes das pessoas, que já foram pagas, das quais pode ser obtido um novo valor.

Efetivamente, essas empresas criaram plataformas digitais que aproveitam o excedente da capacidade e confiam às pessoas o fornecimento dos serviços, reconfigurando as relações de trabalho e consequentemente o conceito de propriedade.O mesmo aplica-se a outras empresas, que se apresentam como colaborativas, mas apenas atuam como intermediadores de serviços, recolhendo sua fatia e dados valiosos para ganhos comerciais adicionais.

Ainda considerando os ganhos intangíveis das novas relações fundamentadas pela confiança, do uso mais inteligente e consciente dos bens e da “maior oferta de trabalho”, me pergunto:

Esse modelo de negócios pode ser desafiado e aprimorado para o benefício daqueles que estão de fato prestando o serviço e criando o valor real?

Trebor Scholz aponta para uma resposta no livro Cooperativismo de Plataforma. Um novo sistema econômico que emerge, ressignificando os conceitos de inovação e eficiência para o benefício de todos. Este modelo levanta uma mudança estrutural do conceito de propriedade na economia de compartilhamento, sobretudo colocando a força de trabalho como proprietário das plataformas.

Scholz apresenta alguns exemplos de cooperativas digitais e projetos já existentes, plataformas que podem ser geridas coletivamente, por sindicatos inovadores, vários tipos de cooperativas e até mesmo por cidades.

  • Fairmondo.

Presente na Alemanha e na Inglaterra, é uma cooperativa digital que cria uma alternativa mais justa para o comércio online em que a propriedade e a gestão da plataforma fica sob a responsabilidade dos próprios usuários. Uma espécie de eBay coletiva e eticamente comprometida.

 

  • Loconomics.

A Loconomics é uma cooperativa de profissionais autônomos de serviços, baseada em São Francisco (EUA). Através de um aplicativo ajudam profissionais a encontrarem clientes, bem como estes a apoiarem negócios locais, sem a necessidade de intermediários.

 

  • Resonate.

Uma plataforma de música por stream, só que totalmente digital cooperativa e construída por músicos. É um Spotify coletivo, em que os donos são usuários e a remuneração aos artistas é muito superior ao que é pago pelas plataformas tradicionais.

 

  • Stocksy.

Uma cooperativa digital para a formação de bancos de mídia, em que os fotógrafos e videomakers licenciam seus produtos e recebem 50% da comissão de vendas,além da divisão dos lucros ao final de cada ano.

Através do conceito de cooperativismo, lastreado pela inovação tecnológica,a leitura do Cooperativismo de Plataforma nos convida a questionar o sistema atual da economia de compartilhamento e pensar sobre possíveis modelos de propriedade mais democráticas na Internet que, através da co-propriedade e da gestão compartilhada gerem maior integridade criativa, uma participação justa nos lucros e, sobretudo, geração de renda.

Muito além da conveniência imediatista, existe a possibilidade de uma economia de compartilhamento genuína, mais solidária e de fato, colaborativa.

 

Referências.

Platform Co-op Ecosystem.

Scholz, Trebor. Cooperativismo de Plataforma. [Online]

Juliana Loyola

Juliana Loyola

Sou Analista Financeira por aptidão e bailarina por paixão. Após uma imersão nas análises numéricas seguida de uma ruptura e um sabático no mundo da dança, vivo o agora, contemplando as estruturas sociais e econômicas com estilos de vida colaborativos. Há algum tempo viabilizando empreendimentos e sonhos, acredito cada vez mais que somos fruto das relações que temos.

Próximo desafio? Desenvolver, cooperar, ajudar e realizar projetos, criar redes que valorizem a autonomia e a unicidade através da colaboração e compartilhamento. Dançar é compartilhar!