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Estive no Rio de Janeiro, visitei o Templo da Gávea e conversei com pessoas incríveis envolvidas em projetos e iniciativas de economia colaborativa e economia criativa. Entre elas, o Felipe Salazar, co-fundador e articulador do coletivo TRAMA. Falamos sobre novas possibilidades, esse “novo mundo” e claro sobre o TRAMA e suas perspectivas! A partir desta conversa super inspiradora com o Felipe, escrevi este texto pra você conhecer este lindo projeto, do qual você também pode fazer parte! 😉

O que é o TRAMA?

O Trama é um coletivo, uma rede que tem como objetivo facilitar a criação, articulação e a divulgação de iniciativas colaborativas. Para isso, sua proposta é facilitar sobretudo a conexão entre pessoas dispostas a realizarem estas ações. Com dois anos e meio de existência e atuando na cidade do Rio de Janeiro, o Trama já facilitou a realização e co-criou diversas atividades, encontros, dinâmicas, etc. que uniram pessoas colaborando criativa e ativamente para transformar (incluindo a transformação de espaços públicos). Num belíssimo texto do Felipe, publicado no canal do TRAMA no medium, você pode entender direitinho como o TRAMA surgiu e o que eles já tramaram até agora! (clique aqui).

Como funciona o TRAMA dentro do Templo?

O Felipe acredita muito na interação entre as pessoas como base para uma verdadeira transformação do mundo em que vivemos, e tenta a todo momento estimular essa essência e o desenvolvimento de comunidade no seu entorno, e no próprio Templo, a atual “residência” do TRAMA.

No Templo, o TRAMA funciona como uma espécie de catalisador, promovendo uma série de atividades, como cineclubes, eventos, dinâmicas e encontros. Nestas atividades, além de apresentar-se para a comunidade do Templo, o TRAMA estimula a criação de um espaço de confiança, onde os diferentes coletivos e empresas integrantes do Templo podem interagir e se conhecer melhor para colaborar e co-criar também dentro deste espaço.

Embora a facilitação de processos de colaboração não pareça ser fácil dentro de uma cultura empresarial tão oposta a isso, Felipe destaca que apesar de alguns momentos de “baixa” de energia, é preciso seguir em frente pelo que se acredita! A criação de memória afetiva e a celebração (fazer algo juntos) são excelentes ferramentas para o despertar da consciência colaborativa e a criação de redes.

 O que o TRAMA está tramando agora?

O desafio atual do TRAMA é tornar realidade a plataforma digital que servirá como a ponte para a conexão e o estabelecimento de novas parcerias para a realização de iniciativas colaborativas de maneira independente. Se você quer criar, colaborar e se engajar a transformar pessoas, espaços, vidas, etc., a plataforma do TRAMA pretende facilitar tudo isso!

O desenho da plataforma será baseado em um ” eu preciso… eu ofereço”, onde as pessoas podem detalhar tudo que precisam para um evento ou encontro acontecer. As pessoas dispostas a colaborar poderão interagir através de fóruns para acompanhar como está se “formando” e se desenvolvendo determinada iniciativa (leia mais aqui).

A criação da plataforma já está em andamento, e contou com a ajuda de uma recente campanha de financiamento coletivo, através da benfeitoria. Sobre isso, o Felipe me disse que “foi muito difícil falar para as pessoas que não tinham ideia do que era”, reforçando a necessidade de divulgar cada vez mais as novas economias e oportunidades de colaboração, compromisso do Co.cada!

Felipe tem muito claro que no início, a plataforma vai funcionar através da mobilização de parceiros atuais do TRAMA. Através de um comportamento ativo, eles pretendem criar os primeiros projetos para movimentar a plataforma, um reconhecido “esforço offline” para fazer deslanchar as plataformas onlines. O olho no olho é muito importante, manter o contato, demonstrar atenção, cuidado e esforço para receber e envolver as pessoas. Segundo Felipe, a internet só potencializa o que já existe fora dela.

Para ele, o grande valor da plataforma é que ela é open source, ou seja você pode criar um novo layout em cima da estrutura da plataforma e utilizá-la. O TRAMA está caminhando cada vez mais em direção à criação de metodologias e conteúdo aberto, eventos colaborativos e foco em devolver à rede aquilo que veio dela (o conhecimento veio daí, e o TRAMA se sente obrigado a fazer esta devolução)!

Ele destaca ainda o quanto é divertido criar baseado na rede, e que todo o conhecimento já está disponível lá, se você souber buscar e estiver disposto a colaborar, você pode fazer qualquer coisa! O importante é querer, buscar, e ter coragem de realizar. Para ele este é o verdadeiro empoderamento – saber que é capaz de criar, de resolver. A comunidade entra para apoiar e colaborar com o outro, essa é a filosofia do TRAMA.

Como foi a trajetória do TRAMA até hoje, sem a plataforma digital?

No início do TRAMA, o importante era fazer-se conhecer, mostrar que existia. Os trameiros começaram a FAZER, ir pra rua, fazer eventos, divulgar no Facebook e investir em reuniões abertas, onde apresentavam o que estavam fazendo em todos os lugares onde tinham oportunidade. Assim, as ações foram reverberando. Segundo Felipe o que fez dar certo foi o amor pelo que estavam fazendo. As pessoas conheciam o projeto e queriam contribuir, queriam pagar, se implicar.

Mas com o tempo, surgiu a pergunta: “como fazer disso nossa vida?”. Embora, a equipe formada por seis pessoas (da área de design e marketing) ainda se sustente essencialmente através de consultorias em projetos paralelos desenvolvidos de acordo com suas habilidades e interesses pessoais, as consultorias e serviços oferecidos pelo TRAMA já começam a render frutos financeiros para os trameiros.

Neste sentido, um aspecto muito interessante é que eles estão super dispostos e preparados para ajudar e dar consultoria no desenvolvimento de projetos em criação de redes, através de pesquisas de campo e busca de soluções locais. Então, anota aí, se você tem um projeto que necessita a criação de redes, quem melhor que os trameiros para te ajudar? 😉

 

Quais são as demais perspectivas do TRAMA?

Também está nos planos do TRAMA abrir o projeto para voluntários, através da criação de uma nova metodologia que possibilitará a interação de pessoas interessadas em desenvolver projetos junto com o TRAMA. Através de um canal, o TRAMA divulgará uma demanda de projetos que requerem pessoas para desenvolvê-los, co-criar com o TRAMA e ganhar dinheiro com isso. Na verdade, Felipe diz que esta demanda já existe e precisam de mais braços (a equipe tem seu trabalho cada vez mais reconhecido e eles são apenas 6 pessoas!) e que “coisas grandes estão vindo”. Nós não temos dúvida disso! Segundo ele se houverem mais braços, o TRAMA poderá abraçar mais projetos e criar novas lideranças apoiadas pela rede. As pessoas que se desenvolverem bem dentro da rede, poderão continuar e cada vez mais, serão integrados na rede.

O que o TRAMA tem do Felipe Salazar?

 

“O TRAMA tem minha alma. Posso dizer isso por todos os membros dos grupo. A gente respira, vive, só fala disso… Como eu sou um articulador e um mobilizador do meu grupo, estou sempre pensando nisso.  E hoje em dia as pessoas me procuram para falar sobre isso. Tudo que estou te falando é vivência, estudei fazendo, aprendizado baseado em desafio. Se desafiar é um processo.” O sonho do Felipe é a realização das atividades nas comunidades: A inclusão social é a etapa seguinte. Para ele, o TRAMA tem que garantir que essas atividades aconteçam, sempre através da colaboração.

Pra finalizar, Felipe destaca que trabalhar no TRAMA é muito divertido. Não existe as cobranças de uma startup convencional de que as coisas tem que dar certo. É prazer, é amor. Ele tem certeza que o TRAMA é um trampolim para algo muito maior. Seja em um outro projeto futuro, seja como uma construção deste mesmo grupo.

Sua visão é a expansão da economia colaborativa, a criação de um senso de comunidade em cada bairro da cidade, onde as pessoas possam solucionar seus próprios problemas apoiadas umas nas outras, confiando umas nas outras. Precisamos resgatar essa confiança perdida, tecer algo junto com as outras pessoas!

O Co.cada está totalmente alinhado com esta visão! E você, vem com a gente? 😉